Bem longe, ouvia-se um som baixo, calmo. "Vento!", o que passou por sua cabeça pouco antes de perceber que som do vendo aumentara. Lentamente, sentiu seu corpo sobre uma superfície dura, sentia o vendo em seus cabelos, mas ainda estava tomado por torpor. Virou-se para o outro lado, afim de aconchegar seu corpo, até que, sua mão pousou sobre algo arredondado e frio, que fez com que o torpor se fosse e seus olhos se abrissem, lentamente.
Olhando para o objeto em sua mão ainda deitado de lado, foi pouco a pouco, acordando de seu sono. Olhou atentamente aquele objeto cinza, frio que estava em sua mão. "Pedra!" Em sua cabeça, ecoava o nome "pedra", e isso fez com que, finalmente despertasse. Todos os seus sentidos estavam "ligados" e ainda com os olhos fixos na pedra, se sentou. Analisou cada centímetro dela e daí, se deu conta das coisas - ou da falta delas - a sua volta.
Colocou a pedra em seu colo, olhou em volta, e só se via uma imensidão verde escura. "Grama". Levemente iluminada por uma esfera branca, com luz tímida, numa vasta negritude, decorada por pontinhos luminosos acima de sua cabeça. "Céu! Lua! Estrelas!". E daí, pouco a pouco, aquele garoto tomava consciência das coisas.
Apoiando em seus joelhos, levantou-se, pegou sua pedra e olhou com mais atenção aquele campo aberto, sentido o vento fresco em seus cabelos negros. "Onde é isso? O que é isso? O que eu sou? Por que estou aqui?", isso tudo passava pela cabeça do jovem garoto. A paisagem de onde estava, era plana, infinita. Não via-se monte, montanha, arvores ou serras. Só uma espessa grama e o céu negro estrelado.
Apos contemplar as estrelas, ele olhou para frente, e notou mais pedras pelo caminho. Apos algum período de tempo, notou também que elas pareciam indicar-lhe um caminho. Começou a andar na direção das mesmas. Embora sentisse calma, sua cabeça trabalhava: "Onde será que essas pedras me levarão?"
Depois de muita caminhada seguindo as pedras, o pobre garoto se sentiu só, cansado e triste. "O que eu sou? Onde estou?". Sentou-se ao chão, ainda com sua primeira pedra na mão, abraçando suas pernas. E chorou! Sentiu, pela primeira vez, a solidão, a dor por não ter ninguém.
Até que... ouviu ao longe um barulho. "Passos! Alguém!"
Levantou-se de repente e viu algo alvo, muito claro, no meio dos tons verde e azul escuros. Mas antes que pudesse entender do que se tratava, a criatura correra para longe dele, acuada, assustada. Dominado pelo calor que sentiu no peito, correu atrás da criatura. Finalmente não estaria mais sozinho!
Com determinação, o garoto correu atrás da criatura durante tanto tempo, que nem conseguia imaginar! Até que ela parou exausta, olhando para ele com olhos cheios de "Medo! Sente medo! Medo de mim!" Percebendo isso, ele estendeu-lhe a mão que contia a pedra. A criatura recuava, ainda com os olhos fixos no garoto. Até que, pouco a pouco, foi se aproximando. Seu pequeno focinho, com longos bigodes, não parava de mexer. Seus olhos vermelhos ainda fixos nos do garoto, suas longas orelhas começavam a se levantar, em sinal de quem estava se habituando a ele e que estava, finalmente perdendo o medo.
"Coelho!" Ao pensar isso, a pequena criatura lhe dirigiu um olhar severo, como se não tivesse gostado do que pensara! "Coelha!" e pensado isso, o pequeno animal exibira uma feição amigável. O que vez o calor no peito do garoto aumentar. "Amiga!" Foi então que sentiu, pela primeira vez, a alegria em ter um amigo, uma amiga! E brincando com sua nova amiga, andou em direção as pedras. Não sabia onde elas o levariam, não sabia onde estava, nem o que era! Mas sabia que iria chegar a algum lugar. E não sentiu-se só, nem com medo, pois a amizade de Coelha havia aquecido aquele coração solitário.





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